A crise na Europa (e no capital)

Publicado: 02/04/2013 por profmurilo2010 em 8 série - Dr. Décio

A música acima, uma versão da banda Pet Shop Boys para “Go West”, do Village People, foi considerada no início da década de 90 um hino de libertação dos países do Leste Europeu, anteriormente pertencentes à União Soviética ou que viviam sob a sua influência no período da Guerra Fria.

(Fonte: Contra-Movimento)

Fala-se em libertação porque, ainda que de forma irônica, conclama os países a se libertarem do “atraso do socialismo” e, juntos, rumarem para o Oeste. Ou seja, seguir a onda Capitalista, impulsionada principalmente pelo American Way Life, e atingir um alto grau de desenvolvimento econômico e social.

Passados os anos e, atualmente, pode ser observado que alguns dos países do antigo bloco oriental europeu que adotaram o modo capitalista de vida, mas com resquícios da ideologia socialista, conseguiram sair menores danos da crise capitalista que assolou as grandes economias tradicionais do mundo desde 2008.

Por exemplo, a Hungria hoje é considerada um dos países da Europa com maior estabilidade econômica, mesmo com crescimento entre 3 e 4%, este é superior ao de grandes potências historicamente capitalistas como a Inglaterra, que tem alcançado 0,5%.

Outro exemplo é a Polônia que tem tido crescimento econômico em torno de 4,4%. Mas também possui suas mazelas, como o desemprego atingindo 12%. Essa taxa é menor que a de Portugal (17%), e este possui menor crescimento, alcançando no máximo 1,9% e seguindo em queda.

Um exemplo é a atual crise europeia, quando observamos países como Grécia, Espanha, Portugal, Itália e Irlanda com crescimento da dívida pública e recordes de desemprego (22% na Espanha) e, ainda, países com economia mais forte como Alemanha, França e Reino Unido começando a perceber que tem tomado o mesmo rumo que os países anteriores (veja aqui o infográfico). Se compararmos com dados dos países do antigo bloco socialista oriental, a maioria destes tem apresentado maior estabilidade econômica. O que não significa que também não irão passar pela crise que os demais países passam.

Resumindo, o modo de vida capitalista, propalado durante a Guerra Fria como sendo o ideal para a humanidade e deveria ser seguido por todos, mostrou-se falho quando não se leva em conta que a sua própria organização leva a sua crise. Um hora o cachorro vai morder o próprio rabo. Isto não quer dizer que o Socialismo seja a salvação, mas que a preocupação social deve caminhar unida ao capital para que, atualmente, possa haver um real desenvolvimento humano, econômico e social.

Dica de site

Publicado: 17/03/2013 por profmurilo2010 em Sem categoria

O site Geografia para todos, de Anselmo Lazaro Branco, Cláudio Mendonça e Elian Alabi Lucci, é uma excelente ferramenta de pesquisa de atividades escolares e acadêmicas. 

Contém uma vasta relação de informações geográficas nas mais diversas mídias, sejam vídeos, textos, imagens e mapas. Esses, por sinal, merecem destaque devido à grande variedade temática disponível.

No site ainda há espaço para links úteis, além de exercícios e atividades de vestibulares para testar o conhecimento do estudante.

Acessem!

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Riqueza Nordestina

Publicado: 08/08/2012 por profmurilo2010 em 7º ano


Ao contrário do que vimos nos grandes meios de comunicação, o Nordeste Brasileiro não é somente problemas e fatos negativos. A insistência em mostrar essa região como uma terra arrasada pela seca e povoada por pessoas atrasadas culturalmente do resto do país ajuda a montar graves estereótipos nada agradáveis no restante da população do território brasileiro e, até mesmo, entre os próprios nordestinos.

Diferente do que aparece nas novelas, o nordeste não é somente a terra de coroneis que mandam e desmandam na população humilde que considera isso bom. Ainda que essas situações podem ocorrer de modo espalhado na região e, também, em outras áreas do Brasil. O nordeste também não é só a terra seca em que nada é floresce ou é produzido. Afinal, como se explica a Zona da Mata e o crescimento da fruticultura e da soja na região?

A cultura nordestina também não se resume ao Axé de músicas de duplo sentido. Além do Axé há vários outros ritmos musicais danças típicas que embalam o povo da região e de outros cantos do Brasil e até do mundo. Isso sem contar os grandes escritores (como o casal Jorge Amado e Zélia Gattai), as festas típicas que vão muito além do carnaval segregatório de Salvador, as comidas típicas de cada sub-região nordestina e, ainda, os grandes personagens da história nordestina, como Lampião e Maria Bonita, entre outros.



A curiosidade sobre esta região e uma pesquisa em livros e sites pode nos levar a descobrir fatos interessantes e revelar outras facetas da história nordestina, nos ajudando a compreender a sua condição atual e suas perspectivas para o futuro.

Os mapas

Publicado: 08/03/2012 por opaz em Geo Rubaldo

História dos mapas e sua função social

Os mapas são a mais antiga representação do pensamento geográfico. Registros que mostram que eles existiam na Grécia antiga e no Império Romano, entre outras civilizações da Antiguidade. Os primeiros eram feitos de madeira, esculpidos ou pintados, ou desenhados sobre a pele de animais. Suas funções incluíam conhecer as áreas dominadas e as possibilidades de ampliação das fronteiras, demarcar territórios de caça e representar a visão de mundo que esses povos tinham. “Desde sempre, o homem registra o espaço onde vive. Trata-se de uma necessidade social”, explica Marcello Martinelli, professor de Cartografia Estratégica no Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Mais do que uma ferramenta de orientação e localização, os mapas se transformaram num recurso importante para a expansão das civilizações, e o seu desenvolvimento foi colocado a serviço do poder. Eles foram fundamentais para a definição de estratégias militares e para a conquista de outros povos. Na época das grandes navegações e dos descobrimentos marítimos (entre os séculos 15 e 16), por exemplo, os cartógrafos estavam presentes em cada expedição realizada. Sua função não era exatamente ajudar na localização, mas registrar e tornar pública a descoberta de novos territórios.

A cartografia nunca foi uma ciência neutra, que representa exatamente o espaço ou a realidade. Por trás de todo mapa, há um interesse (político, econômico, pessoal), um objetivo (ampliar o território, melhorar a área agrícola etc.) e um conceito (o direito sobre determinada região, o uso do solo etc.). “O mapa é uma representação adaptada da realidade. Por isso, nunca é isento”, diz Carla Gimenes de Sena, doutora em Pesquisa em Geografia e Cartografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), campus de Ourinhos.

– texto da Revista Nova Escola, disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/historia-mapas-sua-funcao-social-636185.shtml

 

A Evolução do Mapas

Antes mesmo de surgir a escrita  por volta de 4.000 a.C. os homens usavam mapas para se comunicarem uns com os outros e para registrar descobertas de todos os tipos, como água, terra altas e planícies. Para que essa comunicação fosse bem eficiente eles usavam símbolos que atualmente são conhecidos na cartografia. A idéia era simples: facilitar a localização de qualquer coisa ou local específico fazendo uso de pontos de referência.

A Cartografia é a arte e a ciência de fazer mapas, os mais antigos que temos notícias e que foram preservados são dos Babilônios por volta do ano 2.300 a.C. . Entre os gregos a ciência da cartografia era considerada muito antiga e na época de Aristótoles o conceito de uma Terra esférica já era mencionado e foi aceito pelos geógrafos da época, isso no ano 350 a.C.

Com Cláudio Ptolemeu (por volta do ano 150 de nossa era) a cartografia grega e romana evoluíram muito e seu “mapa mundi” ficou mundialmente conhecido e uma referência até a Renascença.

Mapa de Ptolomeu

Na Idade Média os mapas europeus eram dominados por religiosos, assim os mapas tinham Jerusalém como centro, o norte, sul, leste e oeste partindo da cidade. No século 12 as explorações dos vikings foram incorporadas nos mapas mundias. Mesmo assim os mapas eram mais comuns e realistas para viagens e explorações na região do Mediterrâneo e nas terras árabes e claro que todos os mapas eram feitos a mão, desenhados e pintados, e sua distribuição era muito limitada.

Na Renascença foi que os mapas começaram a ficar mais comuns usando formas de impressão bem rudimentares, no século 15 usavam um pedaço de madeira esculpido com o formato do mapa para imprimir suas curvas em papel ou mesmo pele fina de animais. Nessa época os mapas possuíam grande valor econômico  para os Estados já que a era das grandes explorações e guerras estava começando. Mapas militares, econômicos e delineando países eram usados.

Os primeiros mapas mundi só surgiram mesmo, como conhecemos hoje, no século 16 seguindo as grandes descobertas de Colombo no Novo Mundo.

Hoje os mapas são muito mais complexos e completos, seguem regras bem definidas de catalogação e organização. Informações geográficas, econômicas, populacional entre outras são usadas atualmente.

fonte: http://postmania.org/mapas-antigos-e-sua-evolucao-de-1531-a-1808/

Crítica: Quem Quer Ser Um Milionário? Cinema | Omelete.

Quem Quer Ser Um Milionário?

Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) joga o anzol e puxa a linha logo no primeiro frame. Ele começa perguntando como um menino da favela conseguiu chegar ao topo do jogo televisivo que dá o título nacional do filme. Dá as alternativas. E logo em seguida já mostra o rapaz sendo brutalmente torturado. O público está fisgado. A resposta é tudo o que interessa.

Na sequência começam a surgir outros aspectos igualmente empolgantes do novo filme do cultuado cineasta inglês Danny Boyle (ExtermínioSunshine). Enchem os olhos o visual de cores saturadas, a câmera na mão – veloz e inquieta -, e a montagem espertíssima, elementos cujos adjetivos aqui empregados podem ser transpostos às três crianças que o filme acompanha por uma monumental favela de Mumbai, India. Tudo embalado por uma trilha sonora moderna que mistura a música incidental A.R. Rahman com canções indianas contemporâneas e faixas ocidentais, como “Paper Planes”, da M.I.A, que aparece em duas versões.

Mas ao menos para os brasileiros deve surgir uma desconfortável má-impressão que se mantém ao longo de todo o primeiro ato. A pobreza é mostrada através de uma ótica que equilibra humor, drama e violência, o que lembra bastante nosso próprio novo clássico de exportação, Cidade de Deus. Felizmente, tal impressão é tão curta quanto a aparição de uma galinha correndo pela favela (juro que se a câmera a seguisse eu levantaria do cinema e iria embora, mas não foi o caso).

Essa idéia errada estende-se por todo o começo porque Boyle desvela seu filme com muita paciência, alternando cenas de um rapaz em três momentos. Conhecemos Jamal  (Dev Patel) sendo torturado e entendemos os motivos da tortura na sequência: a polícia quer saber como foi que ele, alguém totalmente desprovido de qualquer educação, conseguiu chegar tão longe no programa Quem Quer Ser Um Milionário?. Seria o jovem um sortudo? Um gênio? Um trapaceiro? Para responder às perguntas da lei, Jamal conta a história de sua infância. Orfão muçulmano, ele cresceu ao lado do irmão Salim e da pequena Latika, por quem nutre uma paixão protetora desde pequeno. Cada personagem é interpretado por três atores ao longo do filme. Todos são cativantes – especialmente os pequenos – mas Dev Patel Madhur Mittal destacam-se como Jamal e Salim na vida adulta. Já Freida Pinto, a Latika, se restringe a fazer o que deve: parecer linda feita um sari bordado a ouro.

O roteiro de Simon Beaufoy, que adaptou o romancebest-selller indiano Q & A, de Vikas Swarup, no entanto, não é sobre dinheiro, mas uma história de amor e destino. Um impensável feel good movie cheio de lixo, violência e exploração – um inusitado filme-família brutal e ao mesmo tempo adorável, uma mistura perfeitamente homogênea do que seriam dois outros filmes de Boyle, Trainspotting e Caiu do Céu, se fossem feitos em Bollywood, o caricato maior mercado cinematográfico do mundo. E quando o plano do cineasta é revelado, em uma guinada de roteiro daquelas pra lembrar pra sempre, cada pedacinho da trama se encaixa, revelando um quebra-cabeça que é não apenas tudo o que já foi comentado aqui, mas também uma homenagem à India, ao seu cinema e, mais importante, às suas pessoas.

“Você queria uma visão da Índia verdadeira? Aqui está!”, diz em determinada hora Jamal a um turista. Quem Quer Ser Um Milionário? é uma visão real do país, sim, mas carregada de toda a realidade que uma fantasia é capaz de criar.